<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656</id><updated>2012-02-16T07:33:57.386-02:00</updated><category term='quiroga'/><category term='conto'/><category term='suicídio'/><category term='uruguaio'/><category term='literatura'/><category term='décalogo do perfeito contista'/><title type='text'>Bibliocantos</title><subtitle type='html'>A vida interior explosiva e cinematográfica de Roberto Pedretti entre um monte de papel impresso, numa esquina encantada do mezanino do Cine Odeon, no Rio de Janeiro.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-7754422792122401441</id><published>2009-08-28T21:30:00.004-03:00</published><updated>2009-08-31T17:16:28.744-03:00</updated><title type='text'>Gonçalo e as Legítimas Piadas de Português</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpwvinBXvNI/AAAAAAAAAFc/cLdUaI_rHL4/s1600-h/senhor+walser.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 213px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376224326810320082" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpwvinBXvNI/AAAAAAAAAFc/cLdUaI_rHL4/s320/senhor+walser.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Gonçalo Tavares é um dos mais aclamados escritores portugueses da nova geração (nunca me sinto confortável em falar sobre "nova geração", porque não sabemos quão novo um sujeito deve ser para ser de uma geração que se entenda por nova, mas ele não tem ainda 40 anos, o que quero crer que seja bem jovem ainda hoje). E a graça de tanto confete e serpentina sobre sua pessoa é que GT é, e isto é algo que se enxerga a milhas de distância, uma pessoa bem simples. Tendo assistido sua falação ao lado de Enrique Villa-Matas na FLIP 2005 e sua participação na última mesa da festa, tradicionalmente intitulada "Livro de Cabeceira", entoando, emocionado, um trecho de "A Paixão Segundo G.H.", isso restava incontroverso. Mesmo nos meandros de seu multiplatinado romance "Jerusalém" já se vê que ele não vê motivo para enrolar o que já não é fácil. Essa objetividade eu definitivamente admiro... e invejo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Folheava eu "Aprender a Rezar na Era da Técnica", o mais recente trabalho lançado no Brasil (quase ao mesmo tempo que "Histórias Falsas", pela Casa da Palavra) e percebi que era um bom livro. Percebi, o que infelizmente não fez com que eu me emocionasse em nada com sua obra. Depois, dei uma olhada em outro &lt;em&gt;romanção, &lt;/em&gt;"Um Homem: Klaus Kemp", e procurei resgatar uma vez mais o encanto que tinha visto na prosa de GT. Mas não consegui. Depois dessas árduas tentativas, tive que me render: o que eu gosto mesmo do Gonçalo Tavares é o seu anedotário - as micro-histórias iluminadas da coleção "O Bairro". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"O Bairro" é uma série de 5 livros fininhos (máximo de 80 páginas), modestíssimos, aqui lançada pela Casa da Palavra, e que contém historinhas, às vezes engraçadas, às vezes trágicas, geralmente as duas coisas ao mesmo tempo. São, sendo muito franco, piadinhas. Mas não piadinhas para rir. Piadinhas, na verdade, para se angustiar nervosamente e rir só porque não se tem saída. Uma conhecida minha, cujo projeto de mestrado é em torno da obra de Gonçalo Tavares, provavelmente me repreenderá, dizendo que "O Bairro" é um exercício, um conjunto de obras menores, diante das construções substancialmente mais intrincadas dos romances multiplatinados. Mas adianto minha resposta: é nestas minúsculas jóias que, para mim, está o grande escritor barbudo. Aqui copio duas delas, uma de "O Senhor Brecht", e outra de "O Senhor Juarroz" (cada livro tem por padrinho um grande autor do século XX, habitante d"o bairro" a que a coleção faz menção, mas isso nada, absolutamente nada tem a ver com as historietas): &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;o cantor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Um pássaro foi atingido com um tiro na asa direita e passou por isso a voar na diagonal.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Mais tarde foi atingido na asa esquerda e viu-se obrigado a deixar de voar, utilizando apenas as duas patas para andar no chão.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Mais tarde foi atingido por uma bala na pata esquerda e passou por isso a andar na diagonal.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Uma outra bala atingiu-o, semanas depois, na pata direita, e o pássaro deixou de poder andar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A partir desse momento dedicou-se às canções.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;os nomes e as coisas &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Para mostrar que não se submetia à ditadura das palavras, o senhor Juarroz todos os dias dava um nome diferente aos objetos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Metade do seu dia de trabalho passava-o assim a atribuir nomes às coisas. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Por vezes, ficava tão cansado com essa tarefa inaugural, que passava a segunda parte do dia de trabalho a descansar. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Quando adormecia os novos nomes das coisas misturavam-se, nos sonhos, com os antigos nomes, e por vezes o senhor Juarroz acordava tão embaralhado que deixava cair a primeira coisa que tentava segurar, e essa coisa, da qual por momentos não sabia o nome, partia-se.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Justamtente antes de publicar isso, conversei com meu amigo Roberto Rosa sobre o efeito que pretendia evocar, de uma leitura que não nos move profundamente mesmo quando temos que admitir sua qualidade. A isso ele mencionou um texto de Cioran que, ao falar sobre a literatura de Borges, o colocava como fundamentalmente um sedutor. Não lemos um conto como "O Aleph" ou "As Ruínas Circulares" pensando "nossa, como isso é bom, não é mesmo?". Se fazemos isso, estamos ou contaminados demais pelas expectativas crescentes a respeito do que temos nas mãos, ou somos simplesmente idiotas. Na maior parte das vezes, o processo é a sedução, nem mais nem menos. E ao terminar a leitura, não precisamos ficar tecendo loas à habilidade do eminentíssimo mago das letras da vez - apenas estivemos &lt;em&gt;lá&lt;/em&gt;, onde ele nos posicionou pelas páginas que durou o conto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ciência inexata que é, a sedução não funciona com todos da mesma forma. Mas, para mim, os contos d"O Bairro" devem estar um passo mais próximos do meu coração que "Jerusalém", por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-7754422792122401441?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/7754422792122401441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/goncalo-e-as-legitimas-piadas-de.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/7754422792122401441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/7754422792122401441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/goncalo-e-as-legitimas-piadas-de.html' title='Gonçalo e as Legítimas Piadas de Português'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpwvinBXvNI/AAAAAAAAAFc/cLdUaI_rHL4/s72-c/senhor+walser.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-569745019004778009</id><published>2009-08-28T18:01:00.005-03:00</published><updated>2009-08-31T18:05:01.672-03:00</updated><title type='text'>A Paixão segundo Jean-Claude</title><content type='html'>Meu amigo e cliente Jean-Claude está se sentindo muito, muito perdido: apaixonou-se por uma menina com a qual nunca trocou uma palavra, apenas pelos livros que a vê lendo de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles pegam o metrô na Siqueira Campos, mais ou menos no mesmo horário, toda terça e quinta há três meses. Há dias em que não se cruzam, por contratempos de parte a parte, mas o normal é que um ou outro esteja perambulando pela plataforma antes que um ou outro desça a escada. Às vezes Jean-Claude artificializa o encontro com estrategemas: num dia em que chegou mais cedo à plataforma e ela não estava, confessa que deixou três composições passarem até que ela assomasse no fim da escada; noutros dias, vai de propósito para um vagão bem distante do dela para &lt;em&gt;não levantar suspeitas; &lt;/em&gt;de outras vezes insiste com amigos que encontra pela rua que desçam com ele a estação para que, caso a menina tenha por milagre reparado nele, não pense que é um desgraçado solitário. Como muitos de nós, Jean-Claude tem muito medo de rejeição, mas não é do tipo patológico, não: desenvolve ótimas conversas com garotas em mesas de bar, ou em rodas de amigos quando é apresentado a alguém novo. Mas não se sente à vontade para tirar assuntos da cartola. E se ela for uma homossexual xiita e chutar-lhe o saco? E se ele ficar nervoso e vomitar em cima dela? E se ela simplesmente já tiver escutado elogios aos seus livros milhares de vezes?&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Almoçamos juntos no sábado passado, e uma boa parte do tempo entre as garfadas passávamos em contemplação, tentando buscar em nossas mentes uma solução para o desenlace. Minha sugestão: ele deveria utilizar o livro que estivesse folheando no momento como um pretexto para a conversação. Se fosse algo que fosse suficientemente conectável, ele encontraria os motivos para começar uma conversa sem que parecesse uma admiração vinda do nada. Jean-Claude não entendeu minha idéia conectiva, então exemplifiquei: se ela estiver lendo um autor, você pode estar lendo alguém que foi uma influência incontroversa sobre ele ou que o influenciou - se ela ler Cortázar, esteja lendo Onetti; se ela ler Kafka, esteja lendo Robert Walser; se ela ler Rimbaud, esteja lendo Baudelaire. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Isso é muito bonito na teoria, senhor Pedretti", diz Jean-Claude, reticente, "mas como vou saber que livro estará com ela em cada dia? E se ela estiver lendo Guimarães Rosa e eu só tiver um Nick  Hornby? Se ela estiver mergulhada em literatura japonesa dó século XXI e eu só tiver um livrinho do Carlo Levi falando sobre a vida nos cafundós da Itália antes da Grande Guerra para tirar do fundo da bolsa? Vou ter que levar uns seis ou sete volumes na bolsa toda terça e quinta para me manter precavido"; "e ela lida com essa variedade toda?", eu, surpreso, "essa mulher passou por um processo de letramento caleidoscópico, pode acreditar", suspira Jean-Claude, desanimado. Uma parte dele começava simplesmente a achar que ele não seria nunca o bastante para uma mulher como aquela. Confiava nas suas escolhas, mas estava empurrando com a barriga ler coisas que ela tinha nas mãos &lt;em&gt;agora. "&lt;/em&gt;Você acredita que da última vez ela estava lendo 'Luz em Agosto', do Faulkner? E o marcador dela já estava láááá no final, naquelas paginazinhas irrisórias do epílogo. E os olhos dela!: totalmente absortos... ela estava totalmente &lt;em&gt;ali dentro &lt;/em&gt;e eu nunca li nada de Faulkner. Você acha que devo alimentar alguma esperança?"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Falando assim, parece uma palhaçada infinda, mas as coisas têm a importância que damos a elas, não tem muito jeito, e para Jean-Claude suas leituras e sua conexão com outros leitores é muito importante. Mas eu tinha uma sugestão que considerei que o animaria, já que ele não tinha coragem de falar diretamente: "tire alguma coisa da sua biblioteca que seja muito importante para você e que se conecte de alguma forma com as coisas que você a tem visto ler. Você embrulha para presente, dá para ela com uma dedicatória sucinta se explicando e deixa anexado seu e-mail e telefone. Tendo lido ou não, qualquer pessoa gosta de ganhar um livro. E ela não terá mais como ignorar a sua presença"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passada uma semana, Jean-Claude vem à loja, não muito animado, e traz um desfecho: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;-E então, escolheu o livro? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Na segunda-feira. "Os Sete Loucos", do Roberto Arlt. Eu tinha duplicado em casa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Ah, que bom! E entregou? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Na terça-feira. Praticamente atirei o livro contra ela, e sai correndo para saltar. Foi ridículo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Já tinha todo o potencial para ser ridículo desde o início... Mas e ai? Ela falou com você depois!? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Na quinta-feira. Veio até mim para agradecer. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;-E..? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Contarei o que houve na quarta-feira... Este post já ficou grande demais para prender a atenção de quem quer que seja. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-569745019004778009?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/569745019004778009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/paixao-segundo-jean-claude.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/569745019004778009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/569745019004778009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/paixao-segundo-jean-claude.html' title='A Paixão segundo Jean-Claude'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-3468768984240365408</id><published>2009-08-24T12:33:00.006-03:00</published><updated>2009-08-25T21:48:07.977-03:00</updated><title type='text'>Vonnegut</title><content type='html'>Uma das minhas leituras esquisitas de primeira adolescência era Kurt Vonnegut.&lt;br /&gt;Me apresentei ostensivamente a ele, pressionado pela quantidade de vezes que o nome se repetia ao longo da ainda pequena prateleira que um dos meus irmãos, então com 22 anos mais ou menos, montava em seu quarto e que eu bisbilhotava sempre que possível.&lt;br /&gt;Quando eu e ele consumíamos KV, ele já estava bem fora de moda no Brasil. As capas tinham cores chapadas preenchendo desenhos a mão livre de inspiração claramente psicodélica. Se hoje grassa a cultura &lt;em&gt;vintage&lt;/em&gt; que agregaria charme sem igual à reedição desses títulos com aquele projeto gráfico setentista, na época eles eram apenas montes de li&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpMW28GsXsI/AAAAAAAAAFE/HhJ_qn4Rr80/s1600-h/matadouro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 216px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373663913486081730" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpMW28GsXsI/AAAAAAAAAFE/HhJ_qn4Rr80/s320/matadouro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;vros velhos, e não havia em parte alguma novas edições: os leitores de Kurt Vonnegut era reféns de sebos e bibliotecas públicas.&lt;br /&gt;Curiosamente, nos EUA livros como "Matadouro nº 5", "Bode Vermelho" e "Almoço dos Campeões" só ampliaram com o passar das décadas seus estatutos de clássicos da literatura do pós-guerra; No Brasil, no entanto, creio que eles passaram os 80 e '90 acorrentados a um cenário de psicodelia, paz e amor, drogas, cores e bandanas que as culturas &lt;em&gt;disco, &lt;/em&gt;de plataformas, excesso de rouge e cuba libre, e &lt;em&gt;yuppie, &lt;/em&gt;de largas ombreiras e ternos sem gravata à la Miami Vice borrifados de cocaína, quiseram varrer do mapa.&lt;br /&gt;Eu, de minha parte, achava cada livro mais genial que outro: li em seqüência uns 8 de seus livros, e curiosamente apenas no final da trilha, já na faculdade, é que fui apresentado ao que é considerado seu livro maior: "Matadouro nº 5", de 1969. Uma nota sobre a importância deste livro na cultura pop estadunidense - em Footloose, quando o personagem rebelde sem causa da cidade grande interpretado pelo imberbe Kevin Bacon é apresentado a alguns membros da pacata comunidade interiorana de Elmore City, numa conversa sobre livros ele declara que tinha acabado de ler "Matadouro nº 5", animadamente, ao que os respeitáveis nativos retrucam que ali não se lê esse tipo de coisa perniciosa. É o primeiro choque cultural de todos os que viriam ao longo do filme, terminando em... em... festa! Como é possível que &lt;em&gt;todos &lt;/em&gt;que viram essa cena, inclusive eu, não tenham saído correndo para ler esse livro?! &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpMW3a-I3II/AAAAAAAAAFM/BGHSc7xWRjE/s1600-h/Vonnegut1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 198px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373663921771699330" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpMW3a-I3II/AAAAAAAAAFM/BGHSc7xWRjE/s320/Vonnegut1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Outro dado que manteve os livros de KV longe do cânone oficial prescrito pelos meus professores e formadores midiáticos de opinião: ele se aproximava perigosamente do absurdo e da ficção científica. O protagonista de "Matadouro nº 5" fala com aliens; "Bode Vermelho" encerra com uma cidade após a explosão de uma bomba de nêutrons; um dos personagens centrais de "Hocus Pocus" constrói uma máquina de moto perpétulo; cientistas criam um cristal de nome "ice-nine", que torna toda a água sólida e pode destuir o planeta Terra em "Cama de Gato"; e os contos da coleção "Bem-Vindo à Casa dos Macacos" são quase todos centrados em distopias das mais loucas, inclusive o conto homônimo, que se passa num mundo no qual o grosso da população toma pílulas para acabar com o prazer sexual como forma de contenção da taxa de natalidade e apresenta um revolucionário, Billy the Poet, que estupra cidadãs comuns como forma de libertação espiritual. Tem como um argumento desses surgir seriamente num livro, que não em 1968?&lt;br /&gt;De uns anos para cá, no entanto, a obra de KV tem sido posta em catálogo com novas traduções pela L&amp;amp;PM, geralmente em formato pocket, o que de certa forma realiza a manutenção da aura &lt;em&gt;pulp &lt;/em&gt;que envolve seus livros. A exceção é o "Armagedon em Retrospecto", uma coleção de 12 prosas do autor, publicada pela primeira vez ano passado nos EUA, com emocionada introdução de seu filho Mark, que chega em formato convencional, lançamento que é. Os textos são uma ótima introdução ao modo vonnegutiano de contar histórias, e como o título já denuncia, envolvem a grande fixação temática da sua obra: a guerra - porque e como as pessoas matam umas às outras &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpMW3zHtyYI/AAAAAAAAAFU/_BMDL51Yurw/s1600-h/Vonnegut.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 180px; FLOAT: right; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373663928254318978" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpMW3zHtyYI/AAAAAAAAAFU/_BMDL51Yurw/s320/Vonnegut.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;sistematicamente. É uma pergunta tão difícil de responder em qualquer época, que um escritor norte-americano que tenha lutado muito jovem na Segunda Grande Guerra e assistido (literalmente) ao bombardeio de Dresden e escrito a base de sua obra duranta a guerra do Vietnã não parece ter outra forma de lidar com os absurdos humanos coletivos senão mandando mais absurdos de volta.&lt;br /&gt;Essa semana, ainda devo falar mais sobre autores e guerra, mas dou uma pausa em Kurt Vonnegut por hoje citando o epílogo de "Bode Vermelho", no qual o protagonista sai correndo para urinar no banheiro de uma estação ferroviária, por entre a névoa do alívio se dispersando, lê o que está escrito na parede à sua frente, em cima do mictório (e é isso que efetivamente encerra o livro):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;"To be is to do." - Socrates&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;"To do is to be." - Sartre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;"Do be do be do" - Sinatra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, na minha cabeça, com muito atraso (o livro é de 1982), está oficialmente inaugurada a pós-modernidade. &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;******** &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A interessante foto dos cinco livros empilhados ai em cima eu encontrei na rede sob autoria de um rapaz auto-denominado Bruno Lorenz, no seguinte link &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/portfoliobrunolorenz/2734967521/"&gt;http://www.flickr.com/photos/portfoliobrunolorenz/2734967521/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele inclusive procura pessoas que tenham e queiram vender os esgotados e preciosos "Kurts". &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-3468768984240365408?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/3468768984240365408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/vonnegut.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/3468768984240365408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/3468768984240365408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/vonnegut.html' title='Vonnegut'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpMW28GsXsI/AAAAAAAAAFE/HhJ_qn4Rr80/s72-c/matadouro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-2211236081320058453</id><published>2009-08-21T20:43:00.007-03:00</published><updated>2009-08-22T17:48:30.333-03:00</updated><title type='text'>Salamandras Apócrifas de Capek</title><content type='html'>Folheio o livro recém-chegado "Delacroix Escapa das Chamas", de Edson Aran. O livro, propriamente, é de humor: uma distopia engraçalóide fazendo sequências de tiradas espertinhas no estilo Casseta &amp;amp; Planeta para mentes elevadas e envasada como romance de verdade (sei que parece que estou falando mal do pobre livro, mas eu apenas acho que ele está mal posicionado como produto; se ele entrasse na "coleção Sigmund", da Desiderata, acho que ficaria perfeito: eu consigo ver as pessoas rindo das piadas sobre o futuro da genética e de termos como "canibais dadá").&lt;br /&gt;O bom foi ter folheado o dito e encontrado no meio o nome de um autor bem esquecido das editoras brasileiras: Karel Capek (falta um sinal diacrítico sobre o "C", mas não ti&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpBZbArf3QI/AAAAAAAAAEU/om2Svp_vWlY/s1600-h/Apocrifas.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 104px; FLOAT: right; HEIGHT: 161px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372892676026785026" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpBZbArf3QI/AAAAAAAAAEU/om2Svp_vWlY/s320/Apocrifas.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;ve paciência de encontrar as ferramentas para colocá-lo onde devia. de toda forma, pronuncia-se "tchapek"). O cara em questão é um escritor tcheco, nascido em 1890, e que é mais famoso entre nós por ter cunhado em 1920, a partir de uma peça que escreveu, o termo &lt;em&gt;roboto&lt;/em&gt;, um neologismo que identifica um trabalhador meramente braçal, sem alma, autômato completo. Traduzido para o inglês, o termo virou &lt;em&gt;robot&lt;/em&gt; e assim passou para o mundo. Mas, literariamente, o Sr. Capek está acima dessa trivialidade idiomática muitíssimo.&lt;br /&gt;Li dele dois livros já publicados no Brasil: "Histórias Apócrifas"(ed. 34) e "A Guerra das Salamandras" (ed. Brasiliense), ambos desesperançadamente esgotados. "Histórias Apócrifas" é uma seleta de contos, alguns curtíssimos, passados em diversos períodos históricos, e que mostram as visões oficiosas de momentos cruciais na história da humanidade. Entre outras narrativas hilárias, um padeiro vem reclamar conosco da forma como Jesus Cristo estava prejudicando, com suas atividades milagreiras, o futuro da profissão; de outro lado, vemos a conversa entre Arquimedes e o soldado romano que veio prendê-lo em casa, em Siracusa, durante a invasão da Sicília, enquanto ele estava prestes a fazer uma importante descoberta; e ainda por outro, temos um homem das cavernas discutindo com sua esposa sobre o comportamento dos filhos. Há momentos particularmente tensos, como o dedicado a Hamlet e ao momento do nascimento de Cristo pela visão de uma família vizinha da manjedoura em questão, mas o tocante e o burlesco convivem harmoniosamente. E se formos falar do tenso e do burlesco interpenetrando-se, temos "A Confissão de Don Juan", em que, no leito de morte, o mitológico galanteador consegue praticamente convencer seu confessor de que o melhor lugar para ele é o Inferno, por mais que se arrependa.&lt;br /&gt;Mas o melhor, mesmo, foi ter lido "A Guerra das Salamandras". Este foi, provavelmente, o livro do qual li mais páginas alcoolizado na vida, e tudo, no entanto, permanece tão claro para mim (ou eu lembro como se permancesse). Lembro-me que na época em que tive uma cópia emprestada de meu amigo Mauricio Durski morava na Lapa, descia nas tardes de domingo e ficava lendo no bar da rua Silvio Romero, escutando ecos da transmissão do futebol, sentindo a luminosidade sumir enquanto subia pelos paralelepípedos à minha frente - e eu na mesinha metálica, com uma Antartica Original e as salamandras como companhia. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpBZbSoP79I/AAAAAAAAAEc/ujVNakfmRYo/s1600-h/guerrasalamandras.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 100px; FLOAT: right; HEIGHT: 152px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372892680844996562" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpBZbSoP79I/AAAAAAAAAEc/ujVNakfmRYo/s320/guerrasalamandras.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Diz lá o livro que num futuro indeterminado, uma espécie de salamandra gigante é descoberta por pescadores de pérolas numa fossa do Oceano Pacífico. Descobre-se rapidamente que as salamandras são seres racionais e que, afora a necessidade de permancer com a pele úmida, são capazes do mesmo que os seres humanos, inclusive de aprender nossos idiomas e de cálculos complexos. No entanto, a história da relação entre homens e salamandras vai ser amarga - escravidão, incompreensão, extermínio. A conclusão desta fantasia levada às últimas consequências (e descrita como uma concatenação de documentos oficiais e testemunhos recolhidos ao longo das décadas) é de que o ser humano não conseguiria conviver com uma racionalidade que lhe fizesse frente.&lt;br /&gt;É uma tentação tomar o "Guerra das Salamandras" como uma alegoria do continente explosivo em que o autor vivia (considerando que o livro foi concluído em 1936), mas certamente isso seria diminuir seu alcance: depois da leitura, a conclusão é que o ser humano não consegue conviver com &lt;em&gt;nenhuma &lt;/em&gt;diferença. O bicho homem só está em paz e tolera a si mesmo e ao seu irmão de pele, olhos, credo e orientação sexual imediatamente adjacente - e olhe lá! Hoje em dia no Ocidente a tolerância é a palavra de ordem - mas por quanto tempo? A intolerância continua existindo concretamente, fora do alcance institucional politicamente correto. De tempos em tempos, aparentemente, ela encontra sua voz, se empertiga, adensa e consegue descer seu martelo sobre o Outro malévolo - e até minutos antes que o martelo caia, não conseguimos perceber que somos este Outro. Como provavelmente Karel Capek não percebeu, quando recusou-se a deixar Praga mesmo sob a eminência da invasão de Hitler e sendo declarado "inimigo público nº 2 do Reich". Faleceu, felizmente para ele, em 1938, antes que fosse mandado para um campo de concentração, sorte que não teve seu irmão, o pintor Joseph Capek, levado pela Gestapo.&lt;br /&gt;Enquanto escrevo inocentemente um blog fuleiro num recanto perdido da rede, quem sabe se não viro, eu também, inimigo público do Reich, mesmo que o 2.346º?&lt;br /&gt;(P.S.: Por mais que tenha buscado, não consegui saber quem era o checo "inimigo público nº 1". Cartas para a redação)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-2211236081320058453?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/2211236081320058453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/salamandras-apocrifas-de-capek.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/2211236081320058453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/2211236081320058453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/salamandras-apocrifas-de-capek.html' title='Salamandras Apócrifas de Capek'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SpBZbArf3QI/AAAAAAAAAEU/om2Svp_vWlY/s72-c/Apocrifas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-67930825199068633</id><published>2009-08-20T14:46:00.005-03:00</published><updated>2009-08-21T03:04:57.583-03:00</updated><title type='text'>Ponge na Poeira</title><content type='html'>&lt;div&gt;Meu armário, depois de quase três meses sem um dedo de arrumação, é um território inóspito, um vazio civilizacional. De vez em quando passo ao largo da porta, dou uma olhada lá para dentro e mexo em uma camisa aqui, um pedaço de luminária quebrada ali, mas assim que percebo a grandiosidade da tarefa que tenho pela frente, reservo para um outro dia, no qual eu tenha mais tempo e disposição. Este dia nunca chega, na vida de ninguém. Vou acabar tirando um dia sem tempo nem disposição e arrumar o que houver para arrumar sem nenhum dos dois disponível. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje de manhã fui procurar uma camisa específica que só poderia estar neste armário. Não sei o que me deu na cabeça de acreditar na intervenção divina que me faria achar qualquer peça de roupa específica naquele turbilhão, mas ativei o Princípio Esperança e me embrenhei na mata fechada de roupas, periféricos computacionais e outros troços. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A tal camisa específica, obviamente, não apareceu, mas surgiu um livro do Francis Ponge que estava perdido no meio de tudo: "A Mimosa". Mexer num armário bagunçado é como pesquisar eras geológicas da Terra: se você tiver algum estudo sobre si mesmo, e geralmente temos (costumamos ser, nós mesmos, a matéria sobre a qual temos mais informação, embora nem sempre tiremos disso as melhores conclusões), é possível lembrar do momento em que cada coisa que aparece nas camadas do armário foi posta ali. E eu me lembro quando esse Ponge foi parar no meio de tudo, uma coisa besta: eu estava prestes a ficar gripado, estava cansado, tinha tentado manter os olhos abertos lendo-o no metrô, e quando tirei minha camisa no meu quarto, ele saltou da minha mão para dentro do armário porque eu simplesmente não tinha tido a noção de tirá-lo das mãos. Ri de mim mesmo, deixei-o lá, dormi, e acordei, e trabalhei, e voltei, e dormi no dia seguinte, e assim foi desde... maio?Não!:abril! Ponge lá descansa, cristalizado, desde abril.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se algo muito crucial tivesse acontecido na minha vida nesse meio tempo? Um falecimento, uma mudança de emprego, uma seqüência de desilusões amorosas, uma operação de recuperação dolorosa? Este livro, antes!, esta &lt;i&gt;posição &lt;/i&gt;do livro seria meu remanescente de outros tempos, seria minha testemunha intacta de uma outra vida. Mas não foi o caso. Estou delirando demais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei que depois de achar o livro, resolvi retomar a leitura no metrô a caminho do Odeon. Se você tem alguma resistência a Poesia, deveria ler Ponge. Ele é um poeta bem esquisito: um sujeito que sai vendo as coisas, as mais elementares, e falando sobre elas, esmiuçando, não bem buscando sua essência, mas apenas &lt;i&gt;percebendo-as &lt;/i&gt;até seus mais improváveis meandros. Lembra um tanto a disciplina descritiva das "Odes Elementares", de Pablo Neruda, da qual acho que a mais eminente é a "Ode à Cebola", mas Ponge ainda é bem diferente de Neruda; ele é mais obstinado em sua investigação e, talvez por isso, menos lírico, o que eu aprecio. Hoje em dia há pouca coisa em catálogo no Brasil (minha edição, por exemplo, de "A Mimosa", acho que está esgotada), mas vale a pena a&lt;/div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/So44Bweje_I/AAAAAAAAAEM/aMiFdhKCnDQ/s320/Mesa-Ponge.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 216px; height: 320px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372293008343661554" /&gt;&lt;div&gt; pesquisa. Com certeza você não terá dificuldades em achar "A Mesa" (ed. Iluminuras), um de seus livros mais importantes, cuja capa coloquei ai do ladinho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao chegar ao trabalho, colhi para apresentar minha própria amostra da destreza pongiana tirada do livrinho que tenho, que dormiu por mais de uma estação em meu armário (com tradução de Adalberto Müller):&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;(...) 1. Cada galho da mimosa é um poleiro com pequenos sóis toleráveis, com pequenos entusiasmos súbitos, com alegres pequenas embolias terminais. (Oh! como é difícil aproximar-se da característica das coisas!). É regozijante ver um ser em desenvolvimento chegar, por um tão grande número de suas extremidades, a tais brilhantes sucessos. Como um fogo de artifício bem sucedido os foguetes terminam em estoiros de sóis. (...) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e, mais adiante, meu trecho predileto: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;(...)Digamos melhor: no próprio momento da glória, no paroxismo da floração, a folhagem já apresenta sinais de desespero, ou pelo menos indícios de desleixo aristocrático. Dir-se-ía que a expressão das folha desmente a das flores, e reciprocamente. (...)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao concluir o poema, juro que dá vontade de prestar atenção às flores. Qualquer flor.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, felizmente, isso passa... &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-67930825199068633?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/67930825199068633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/ponge-na-poeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/67930825199068633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/67930825199068633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/ponge-na-poeira.html' title='Ponge na Poeira'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/So44Bweje_I/AAAAAAAAAEM/aMiFdhKCnDQ/s72-c/Mesa-Ponge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-7164361456716362841</id><published>2009-08-18T02:03:00.009-03:00</published><updated>2009-08-19T19:12:56.651-03:00</updated><title type='text'>Ajuda dos universitários - Parte 1: Proust</title><content type='html'>Alguns livros nos passam apenas uma certeza, quando contamplamos seus tomos volumosos, nos perdemos entre algumas linhas de sua escrita enigmática e damos uma boa olhada nas introduções técnicas que os precedem - e esta certeza, que exaramos num suspiro mal percebido entre os lábios semicerrados é: "nunca lerei esta porcaria".&lt;br /&gt;Este seleto grupo é formado, entre uma infinidade de outros, mais ou menos famosos, por "Em Busca do Tempo Perdido", "Ulisses", "Fausto", de Goethe, e "Como É", de Beckett, livros que não propriamente alcançaram a fama de enigmáticos - eles já nasceram assim, e costumavam ser um desafio mesmo para os contemporâneos e conterrâneos de seus autores. "Ulisses" nunca foi fácil, mesmo quando era adotado como material pornográfico para os soldados britânicos solitários nas trincheiras da II Grande Guerra; "Como É" já começou a merecer estudos antes mesmo de sua publicação em Inglês, em 1964; e "Em Busca do Tempo Perdido"... bem... nenhum livro daquele tamanho pode ter sido fácil um dia.&lt;br /&gt;Em todos esses casos, acho que não há muita solução além de comportar-se com a humildade devida e compreender que os autores, e notadamente os grandes autores (como os grandes compositores, pintores, filósofos etc), tendem a ser menores que suas obras, e quanto mais distantes estivermos do momento de sua criação, mais difícil será conseguir o auxílio das motivações que podem ajudar a elucidá-la. Para esses livros basilares, suas histórias são a história de suas leituras.&lt;br /&gt;Hoje, estou pensando em especial no "Em Busca do Tempo Perdido", em seus sete longos tomos, praticamente aquilo que Marcel Proust viveu para colocar no mundo, com exceção de algumas poucas outras prosas e um outro romance incompleto. Geralmente as pessoas encaram o projeto de ler a &lt;em&gt;Recherche&lt;/em&gt; (como preferem chamar alguns, por síntese e/ou impáfia) como uma das realizações necessárias da vida adulta, talvez não da mesma estatura que ter um filho e plantar uma árvore, mas aparentada de escalar o Everest e jogar uma moeda na Fontana di Trevi. Eu, por ora, li apenas o primeiro tomo, antes que a urgência de outras buscas me afastasse do caminho, mas ainda acho importante retomar futuramente. E aqui indico algumas das leituras que acho que fariam bem ao leitor comum como eu (e não ao estudioso, é o que quero dizer) na hora dessa retomada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) "Como Proust Pode Mudar Sua Vida", de Alain de Botton (ed. Rocco) - eu sei que você vai colocar uma capa de papel pardo, no melhor estilo escolar, para ninguém reparar no que você tem nas mãos enquanto estiver no metrô. Se ler auto-ajuda pode te comprometer co&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxzY2AGRFI/AAAAAAAAAD8/7kHpjI9lhXk/s1600-h/ProustdeBotton.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 162px; FLOAT: right; HEIGHT: 261px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371795326196139090" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxzY2AGRFI/AAAAAAAAAD8/7kHpjI9lhXk/s320/ProustdeBotton.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;mo leitor, ler auto-ajuda sobre Proust é mais vexatório ainda! Pois este é um depoimento de leitor, e um leitor atento, disfarçado com bom humor de livro de auto-ajuda (inclusive nos títulos dos capítulos, tais como "Como Ser um Bom Amigo" e "Como Sofrer com Sucesso"). Misturando dados biográficos com observações tiradas da &lt;em&gt;Recherche, &lt;/em&gt;esse rapaz Alain de Botton, que já vendeu milhões de exemplares de seus livros de divulgação de Filosofia e Literatura na Europa, é capaz de tirar o medo que a solenidade de quase um século de adoração faz pesar sobre ele até do leitor mais relapso, sem nunca dar a impressão de que está tentando esgotar o assunto. Se você já está mais do que escolado em literatura do começo do século XX e já topou com o nome e citações de Proust tantas vezes que você já tem até a impressão de ter lido a &lt;em&gt;Recherche &lt;/em&gt;sem ter nem começado, pode esquecer. Mas se você sabe até agora vagamente que Proust era escritor e só, esse pode ser o seu ponto de partida, sem nenhuma vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) "Fun Home", de Alison Bechdel (ed. Conrad) - Este aqui é um livro de História em Quadrinhos, e é menos uma biografia quadrinizada que uma tentativa de auto-análise de uma obsessão que atravessa a vida adulta da autora: a relação com o pai, homossexual como ela, morto num atropelamento. Desvendar sua própria vida vendo-a pelos ol&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/Soxz87SsGfI/AAAAAAAAAEE/4N5y3at2f9c/s1600-h/FunHome.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 165px; FLOAT: right; HEIGHT: 256px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371795946091583986" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/Soxz87SsGfI/AAAAAAAAAEE/4N5y3at2f9c/s320/FunHome.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;hos do pai, leitor de Proust e F. Scott Fitzgerald, é o grande objetivo do livro. E no caminho acompanhamos o processo de auto-descoberta de Alison enquanto ela, por sua própria conta, desvenda a vida de seu pai e encontra os laços que a ligam àquele homem que lhe parece, no fim das contas, tão desconhecido. Paralelos entre a vida de sua família e trechos da &lt;em&gt;Recherche &lt;/em&gt;estão por toda parte, e é garantida a vontade de se embrenhar por ele assim que "Fun Home" acaba, bem como pelas obras de Wallace Stevens, F. Scott Fitzgerald e de todos os autores que aparecem nas capas dos livros que se insinuam em cada quadrinho. Um livro extremamente delicado, e uma demonstração de como Proust pode salvar mesmo algumas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) "Proust", de Pietro Citati (ed. Companhia das Letras) - Tenho a impressão de que há dois tipos de biografia: aquela definitiva, com todos, TODOS os dados, até o ângulo em que o sujeito deixou o cabelo penteado para o lado no dia 21 de junho de 1871, que é extremamente necessária como base &lt;em&gt;para quem já quer saber tudo &lt;/em&gt;sobre o referido biografado ou ter uma obra de referência confiável para não sair falando besteiras sem lastro quando o assunto surgir; e aquela ensaística, que toma a liberdade de te apresentar o biografado por zonas mais sombrias ou iluminadas ao gosto do autor. A diferen&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxzYCTjoZI/AAAAAAAAADs/o2uTIIUWKV0/s1600-h/Proust.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 134px; FLOAT: right; HEIGHT: 187px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371795312319111570" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxzYCTjoZI/AAAAAAAAADs/o2uTIIUWKV0/s320/Proust.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;ça entre a primeira e segunda: a segunda geralmente é a divertida. Mas isso é mais que justo! Só faltava eu pedir que Joseph Frank, além de escrever 5 tomos gigantes sobre Dostoievski, ainda me fizesse sorrir! Tenha paciência...&lt;br /&gt;Este "Proust" é um dos exemplos mais felizes de que me recordo do segundo gênero. Mesmo que você pense que está apenas começando a ler sobre um francezinho esnobe e asmático, não há como escapar do ritmo informal e romancesco que Citati impõe a seu livro. É quase como se estivéssemos descobrindo Proust junto com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nada mais der certo, não se desespere: você pode se juntar a um dos grupos de estudo que todo ano surgem por ai para a leitura de "Em Busca do Tempo Perdido". Eu mesmo estou pensando em fazer minha retomada em algum deles, quando for embarcar em "A Sombra das Raparigas em Flor".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-7164361456716362841?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/7164361456716362841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/ajuda-dos-universitarios-parte-1-proust.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/7164361456716362841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/7164361456716362841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/ajuda-dos-universitarios-parte-1-proust.html' title='Ajuda dos universitários - Parte 1: Proust'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxzY2AGRFI/AAAAAAAAAD8/7kHpjI9lhXk/s72-c/ProustdeBotton.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-1810989595524741760</id><published>2009-08-17T21:31:00.011-03:00</published><updated>2009-08-19T16:27:01.473-03:00</updated><title type='text'>Patrulha Sexual Modernista</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxN31sTcUI/AAAAAAAAADM/Hgyv6V4BkGc/s1600-h/baudelaire+gautier.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Um cliente veio outro dia defender a tese, a seu ver, revolucionária, de que Charles Baudelaire e Téophile Gautier não eram apenas grandes amigos, mas amantes, no sentido mais carnal e abandonado possível. Suas conclusões ele tirava, segundo ele, a partir de documentação inédita a que teve acesso em Honfleur, cidade da &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxQXoRAIoI/AAAAAAAAADc/-Q2WNgiP6-A/s1600-h/imagem+BauXGau.JPG"&gt;&lt;/a&gt;Normandia na qual Baudelaire passou boa parte do ano de 1859, ao lado da mãe. Fico imaginando por&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxR4p07VqI/AAAAAAAAADk/RFuRE_EO36k/s1600-h/imagem+BauXGau.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 164px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371758489288529570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxR4p07VqI/AAAAAAAAADk/RFuRE_EO36k/s200/imagem+BauXGau.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;que motivo algum relato sexual tórrido de qualquer natureza, sobre ele mesmo ou sobre outros, seria guardado por Baudelaire ao alcance de sua mãe, com quem ele já mantinha uma relação tão fragilmente construída. Mas resolvi ficar quieto, diante da disposição que meu cliente apresentou de continuar falando. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como prova mais imediata, este mesmo cliente pega da estante de Literatura Estrangeira o volume "Baudelaire", da editora Boitempo, que traz no corpo principal o longo prefácio escrito por T.Gautier para a primeira edição de "As Flores do Mal", e entre muitos dados contingentes, uma menção à dedicatória feita de próprio punho por Baudelaire a seu amigo, dizendo: "meu muito caro Téophile, a dedicatória impressa na primeira página é apenas uma pálida sombra da amizade e da admiração verdadeira que sempre senti por ti. Sabes bem disso". Fico estático contemplando o trecho, enquanto o entusiasmado pesquisador ensaiava cutucões gaiatos no meu braço esquerdo. Se tudo que ele tiver encontrado em Honfleur, se é que encontrou, tiver este potencial incendiário, não irá muito longe. E, ademais, quis dizer a ele que essa coisa de devassar a sexualidade de bastiões da cultura ocidental teve seu tempo de &lt;em&gt;hype,&lt;/em&gt; mas que hoje em dia não me parecia fazer diferença se, entre as flores do mal, uma tiver sido uma flor de antúrio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O acontecimentozinho da tarde teve como boa consequência que eu tomasse da minha própria estante de casa o meu próprio exemplar de "Baudelaire" e o folheasse, depois de quase cinco anos. É de se espantar que qualquer edição de "As Flores do Mal" tenha saído em qualquer tempo sem o incremento desta incrível introdução - o texto de Téophile Gautier não só é riquíssimo de informações privilegiadas sobre o processo criador de Baudelaire, mas tem o papel de funcionar como um auto-de-fé do Modernismo recém-nascido, mostrando como Baudelaire, autor e personalidade, se desvencilhava das investidas rotuladoras das escolas já vigentes. A tentação para quem gosta de biografias modernistas é imaginar se ao escrever este glorioso prefácio, TG já imaginava os problemas judiciais que Baudelaire sofreria, seu isolamento gradativo, sua morte aos 46 anos, nos braços da mãe, depois de um colapso em solo belga, fisicamente devastado e cheio de dívidas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A tentação dura pouco, no entanto: logo depois somos levados a lembrar que esse mesmo Téophile Gautier, o grande arauto da "arte pela arte", formulador da idéia que seria um dos pilares da etapa mais coesa do modernismo de que a Arte produz beleza e que nada mais pode se esperar dela, não se importaria com isso; que por mais que num prefácio como esse fosse obrigado, pela sua própria trajetória, a equilibrar a amizade e a experiência pessoal com o exame entusiasticamente técnico dos poemas que considera essenciais, o amigo e a obra eram duas instâncias diversas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Recomendo muitíssimo a leitura desse prefácio feita em combinação com o recém-lançado "Modernismo", do Peter Gay (Companhia das Letras), que na primeira parte, intitulada "Fundadores", traça, em separado, bons perfis de Baudelaire e Téophile Gautier e detém-se um pouco mais na história do processo judicial que obrigou os editores a retirar seis poemas considerados obscenos da segunda edição de "As Flores do Mal". E vou tratar de conseguir para mim alguma edição de "Mademoiselle de Maupin", romance de Gautier que me dizem, mas ainda não provaram, que registra o primeiro &lt;em&gt;threesome &lt;/em&gt;entre personagens na literatura do século XIX.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-1810989595524741760?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/1810989595524741760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/patrulha-sexual-modernista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/1810989595524741760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/1810989595524741760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/patrulha-sexual-modernista.html' title='Patrulha Sexual Modernista'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoxR4p07VqI/AAAAAAAAADk/RFuRE_EO36k/s72-c/imagem+BauXGau.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-5293278898723233295</id><published>2009-08-16T04:21:00.005-03:00</published><updated>2009-08-19T15:17:09.715-03:00</updated><title type='text'>Pessoas Que Arruinam The Whole Fucking Experience - parte 1: fãs de Bukowski</title><content type='html'>Que fique bem claro logo de início: aqui não me refiro aos leitores que lêem Bukowski &lt;em&gt;como parte de um &lt;/em&gt;corpus &lt;em&gt;maior de leituras&lt;/em&gt;, pessoas que se divertem com as peripécias rocambolescas do Velho Safado ou que, estudando a literatura americana na segunda metade do século XX, não teriam, mesmo que quisessem, como contornar uma obra com tamanha influência. Acho que essa ressalva, felizmente, está endereçada a mais de 90% dos leitores.&lt;br /&gt;Refiro-me, isso sim, aos &lt;em&gt;fãs incondicionais &lt;/em&gt;de Bukowski (f.i.B.), do tipo que a gente já conhece: as pessoas que acham que o máximo da experiência humana é viver sordidamente, cercado de álcool, cigarros, mulheres suspeitas e uma máquina olivetti que parece que vai desmontar a cada irritante batida nas teclas sebentas. São as pessoas que gastam todo o dinheiro dos pais em cerveja barata para ela e para os amigos &lt;em&gt;outsiders &lt;/em&gt;que as cercam, que saem todos os dias da semana para as boates mais xexelentas e são capazes de mendigar o valor da entrada até derramarem lágrimas de sangue, só para gastar o dobro disso para comprar uma camisa previamente rasgada do Sex Pistols e quatro vezes isso para comprar antes de todo mundo ingressos para todas as apresentações no Brasil da última grande banda londrina que não sai de seu i-Pod. As pessoas que &lt;em&gt;realmente &lt;/em&gt;vivem suas vidas como lixo dificilmente têm esse tipo de escolha.&lt;br /&gt;Quando se sentem oprimidos pelo provincianismo carioca, os f.i.B. se congregam com seus amigos de infância de colégios tradicionais católicos e vão todos ser miseráveis em Paris ou Praga, e de lá trazem vários suvenires miseráveis legais - inclusive edições em papel-jornal de Bukowski em tcheco.&lt;br /&gt;Os f.i.B. também têm outras leituras colaterais, mas apenas complementares: para filosofar, têm "Nietszche em 90 minutos" e qualquer coisa que saia da boca do seu professor predileto na faculdade; para atualidades, as matérias mais curtas da Piauí e da Caros Amigos; entre os autores, geralmente Jack Kerouac e William Burroughs - mas o primeiro é espiritualizado demais, e o segundo drogado e gay demais para suas sensíveis consciências.&lt;br /&gt;O que depõe muito favoravelmente a favor de Bukowski é que, para ser f.i.B. de raiz você tem ainda que &lt;em&gt;fingir que leu&lt;/em&gt; a maior parte das coisas que menciona, porque se você tiver realmente lido e pensado sobre a maior parte dos poemas que estão, por exemplo, em "Love Is a Dog From Hell", e pensar mesmo com carinho sobre a situação de Henry Chinaski e for um f.i.B, talvez essa atividade sozinha já faça com que você deixe de ser. Porque a conclusão geral, pelo menos a minha, não é que o Sr. Bukowski ache que a vida deva ser assim, mas que a dele infelizmente foi quase sempre assim e pronto - "se a sua puder ser diferente, admita essa diferença e faça com ela uma coisa melhor do que eu fiz", me parece ouvi-lo dizer.&lt;br /&gt;Da minha parte, acho Bukowski muito divertido de ler. É facílimo: algo acontece depois de outro algo, pessoas fazem coisas, sempre um narrador único para te tomar pela mão, com o qual se identificar e no qual confiar. É bem satisfatório... Devo ter lido "Mulheres" em uma noite, sem nem me dar conta; "Factótum" me tomou o tempo de uma viagem de ônibus para São Paulo; os poemas não têm a aura de mistério insondável de um Mallarmé ou T.S.Eliot - são prosa picotada, várias sentenças disfarçadas de verso porque &lt;em&gt;ele quis que fosse assim e foda-se. &lt;/em&gt;É óbvio que as histórias pelas quais esse sujeito passou tinham que ser contadas!&lt;br /&gt;Recomendo a todo mundo que queira escapar de ser f.i.B que assista a "The Charles Bukowski Tapes": é basicamente um depoimento de quatro horas ou mais, editado por Barbet Schroeder, prestado em 1985. Dois DVDs de Bukowski falando e falando e falando... sobre tudo - livros, natureza, mulheres, bebida etc. Acho que não há edição brasileira e que essa importada não tem legendas, mas vale a pena apurar o Inglês, se possível. Você sai da sessão pensando que esse velhinho de cara rachada devia ser um ótimo papo num bar... e que talvez você não devesse parar por ai nas suas leituras.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-5293278898723233295?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/5293278898723233295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/pessoas-que-arruinam-whole-fucking.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/5293278898723233295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/5293278898723233295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/pessoas-que-arruinam-whole-fucking.html' title='Pessoas Que Arruinam The Whole Fucking Experience - parte 1: fãs de Bukowski'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-1508110987691018475</id><published>2009-08-15T18:57:00.003-03:00</published><updated>2009-08-15T19:09:25.510-03:00</updated><title type='text'>Contornando Clássicos - Parte 1</title><content type='html'>Quando começamos a procurar nossas primeiras leituras sérias (acho que para a maior parte das pessoas, da minha “geração” ao menos, foi em torno dos 13 anos) ficamos imediatamente permeáveis a vários mecanismos institucionais de dicas a respeito, e descobrimos que a melhor coisa a fazer neste instante é ler OS CLÁSSICOS. Professores, pais, pais de colegas, as coleções da Abril Cultural vendidas nas bancas, as listas infindáveis dos melhores e mais importantes livros dos séculos XX, XIX ou XVIII, cultivadas e compradas avidamente por pessoas que deixarão os volumes embolorarem nas estantes sem nunca nem encostar na lombada – todas essas fontes apontam para OS CLÁSSICOS. Infelizmente, a maior parte dos CLÁSSICOS não nos diz muito quando temos 13 anos, ou, se tinham o potencial de dizer, este é neutralizado &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocwF-2LjcI/AAAAAAAAAC8/tSD43ZT5N0g/s1600-h/Perto+do+Cora%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 134px; FLOAT: right; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370313959990332866" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocwF-2LjcI/AAAAAAAAAC8/tSD43ZT5N0g/s200/Perto+do+Cora%C3%A7%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;precisamente pelo excesso de indicações.&lt;br /&gt;Por exemplo, o livro que você &lt;em&gt;tem&lt;/em&gt; que ler para fazer um trabalho do colégio -&gt; leia, faça o que tem que fazer... e esqueça-o. Ele nunca mais vai servir para nada na sua vida, nem diversão nem aperfeiçoamento pessoal. Ele está esteticamente morto, até que você consiga, eventualmente, ressuscitá-lo na idade adulta, com um desfibrilador crítico muito potente. Isso aconteceu comigo com Machado de Assis, Lima Barreto e José de Alencar, entre outros tantos. Hoje em dia, indicam Clarice Lispector para leitura em colégios. Acho isso quase criminoso. Um livro como “Perto do Coração Selvagem” tem que ser encontrado na estante, no meio de coisas inofensivas, você tem que lembrar de ter escutado o título mencionado pelo seu tio depravado que fugiu com a empregada, depois levado em segredo para o quarto, lido na calada da noite, clandestinamente. Só assim ele pode encontrar sua função.&lt;br /&gt;Dei sorte com alguns desses autores e livros nos meus próprios 13 anos; fuçando a estante encontrei muita coisa que não fazia idéia de quão famosa ou importante ou fantástica era, e consegui estabelecer uma relação mais franca com esses textos. Um, em particular, me vem à cabeça: o final de um conto que achei numa edição já velhinha da Ediouro: "Arábia". Não li todos os contos na época, mas nunca me esqueci do final deste. A história era basicamente de um garoto da minha idade que queria ir a uma quermesse numa cidade próxima porque queria comprar uma lembrança para a garota da qual gostava, e também porque todos estariam lá, era o g&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocwFmks58I/AAAAAAAAAC0/Z8ubqNKsJgs/s1600-h/WpgMostraArtigo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 130px; FLOAT: right; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370313953474570178" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocwFmks58I/AAAAAAAAAC0/Z8ubqNKsJgs/s200/WpgMostraArtigo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;rande acontecimento da região, ele não podia faltar! Mas o tio, que fazia as vezes de pai, demorava a chegar em casa para lhe dar dinheiro para ir... demorava e demorava... e ele não conseguiu sair até muito tarde de casa. Quando chegou à quermesse, estava quase tudo fechado, e ele, decepcionado, disse, encerrando o conto (tradução de Hamilton Trevisan):&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;“Fitando a escuridão, eu me vi como uma criatura tangida e ludibriada por quimeras. Meus olhos queimavam de angústia e ódio.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Eu entendia totalmente o que ele sentia – um ódio hormonal, amplificado pela sensação de aprisionamento às decisões dos adultos, pela impotência financeira e pela certeza de que ele não conseguiria transmitir este ódio para mais ninguém, porque &lt;em&gt;ninguém&lt;/em&gt; daria importância (e anos mais tarde apenas ele veria que com razão). Nunca esqueci as imagens que esse conto evocou para mim, e a identificação esquisita, automática, com aquele destino.&lt;br /&gt;E eu, felizmente, não sabia quem era esse tal de James Joyce.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-1508110987691018475?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/1508110987691018475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/quando-comecamos-procurar-nossas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/1508110987691018475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/1508110987691018475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/quando-comecamos-procurar-nossas.html' title='Contornando Clássicos - Parte 1'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocwF-2LjcI/AAAAAAAAAC8/tSD43ZT5N0g/s72-c/Perto+do+Cora%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-942178450573165562</id><published>2009-08-15T15:55:00.008-03:00</published><updated>2009-08-18T02:11:46.441-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suicídio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='uruguaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quiroga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='décalogo do perfeito contista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>A Pressão da Escrita - Parte 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocFhKSHOGI/AAAAAAAAACs/tv0kRAImSKk/s1600-h/decalogo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 180px; FLOAT: right; HEIGHT: 270px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370267147916752994" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocFhKSHOGI/AAAAAAAAACs/tv0kRAImSKk/s320/decalogo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só o fato do escritor uruguaio Horacio Quiroga ter sido capaz de produzir alguma coisa nos intervalos entre as incessantes desgraças que assolaram sua vida é por si só impressionante: seu pai atirou acidentalmemte em si mesmo durante uma expedição de caça quando Horacio tinha apenas alguns meses de vida e morreu. Seu padrasto, não muitos anos depois, se matou e foi o jovem Horacio quem encontrou o corpo no quarto dos pais. Ainda durante a juventude, matou acidentalmente seu melhor amigo enquanto limpava a arma que este usaria durante um duelo para o qual fora escalado como padrinho. Casou-se com uma jovem que era sua preceptora e foi com ela tentar plantar algodão numa província remota - quase morreu de fome, acossado por duros invernos e pragas infinitas. Sua esposa, deprimida e contrariada, envenenou-se e agonizou semanas a fio antes de morrer, deixando Horacio para cuidar dos dois filhos, Eglé e Dario, que, mais tarde, mas não muito mais tarde, se matariam, cada um por sua própria conta. Por volta de seus 50 anos, casou-se outra vez, agora com uma mulher 30 anos mais jovem que alguns anos depois o deixou. O sofrimento da rejeição só não durou mais dessa vez porque, aos 60 anos, depois de ser diagnosticado com câncer, Horacio, quem diria!, se matou.&lt;br /&gt;Apesar disso tudo, este homem virou não apenas um prosista interessante, mas um dos maiores narradores em castelhano do século XX, focadamente como mestre da narrativa curta. Um amigo meu costumava argumentar que eram tantos os infortúnios na vida de HQ que ele não conseguiria dedicar-se de qualquer forma ao romance, por mera falta de tempo insofrente.&lt;br /&gt;Uma célebre e ainda mais curta obra sua acabou de merecer uma republicação por esses dias, pela L&amp;amp;PM: é o “Decálogo do Perfeito Contista”, como o nome já faz supor, um conjunto de 10 regrinhas que o prosador deve seguir para alcançar a forma perfeita em sua arte.&lt;br /&gt;A obra em questão ocupa uma página e meia do volume, dez regrinhas mesmo - o restante das mais de 150 páginas são uma ampla discussão das diretrizes de HQ realizada por seus próprios pares, vários contistas contemporâneos brasileiros como Moacyr Scliar e Nelson de Oliveira, sob organização de Sérgio Faraco, que já tinha sido publicada pelo menos uma vez em 1999 pela Unisinos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na prática, é a quase decupagem de um longo debate relacionado às tábuas contísticas da lei. Vê-se de cara que pode ser extremamente instrutivo e/ou extremamente chato. Espero por pareceres posteriores e, caso ainda me lembre, darei meu próprio depois de ler. Com certeza voltaremos a Horacio Quiroga, quanto a isso não há duvida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-942178450573165562?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/942178450573165562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/pressao-da-escrita-parte-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/942178450573165562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/942178450573165562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/pressao-da-escrita-parte-2.html' title='A Pressão da Escrita - Parte 2'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SocFhKSHOGI/AAAAAAAAACs/tv0kRAImSKk/s72-c/decalogo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-6907971450625369679</id><published>2009-08-14T19:48:00.010-03:00</published><updated>2009-08-14T20:28:04.718-03:00</updated><title type='text'>A Pressão da Escrita - parte 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxoPLrxSI/AAAAAAAAACc/c83armuNs2k/s1600-h/1055137.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXu3hbzZ3I/AAAAAAAAABk/sQagY9IRs-g/s1600-h/livros_zama_250_rep.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxJSwGbhI/AAAAAAAAACU/_YT8mZz6yvE/s1600-h/livros_mundo-animal_250_rep.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 133px; FLOAT: right; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369963272663887378" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxJSwGbhI/AAAAAAAAACU/_YT8mZz6yvE/s200/livros_mundo-animal_250_rep.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antonio di Benedetto, então aos cinqüenta e poucos anos de idade, foi preso pela ditadura argentina e permaneceu encarcerado entre março de 1976 e setembro de 1977. Neste meio tempo, foi submetido a uma série de torturas e (olha só que divertido!) quatro simulações de fuzilamento. Numa situação limite na qual a mente do ser humano normal sentir-se-ía totalmente à vontade para conceder férias à sanidade e tremer e babar pelos cantos numa desesperada fuga rumo ao interior, prescindindo dos caracteres essenciais de humanidade que nestas circunstâncias perdem todo o sentido, o tal di Benedetto continuou a escrever. Quando tentava escrever sem qualquer finalidade externa perceptível, seus carcereiros estavam encarregados de sempre rasgarem-lhe os papéis. Logo, ele começou a dar &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxJIgHT1I/AAAAAAAAACM/nQTKh2lZZo0/s1600-h/505_175.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 137px; FLOAT: right; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369963269912481618" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxJIgHT1I/AAAAAAAAACM/nQTKh2lZZo0/s200/505_175.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;vazão a seus contos embutindo-os nas cartas que escrevia a uma de suas únicas amigas no mundo exterior, a escultora Adelma Petroni. Entre uma e outra informação objetiva e perguntas bestas sobre o mundo lá fora, ele começava uma sentença dizendo “Esta noite tive um lindo sonho; vou contar...” e tudo que vinha depois desta introdução era transfigurado em literatura.&lt;br /&gt;Os contos que este homem pôs para fora através de suas cartas foram publicados na Espanha, um ano após sua libertação, sob o título de “Absurdos”, misturados a outras narrativas já publicadas anteriormente. Mesmo já em liberdade, toda a produção tardia de Benedetto era ou assombrada pela tortura na terra natal ou entristecida pela nostalgia no exílio. Felizmente seus romances fundamentais estão todos disponíveis com relativa facilidade em português: “O Silencieiro”, “Zama” e “Os Suicidas” &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxopi7anI/AAAAAAAAACk/sfL_U00DArU/s1600-h/livros_zama_250_rep.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 136px; FLOAT: right; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369963811358599794" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxopi7anI/AAAAAAAAACk/sfL_U00DArU/s200/livros_zama_250_rep.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;foram escritos entre 1955 e 1965 e são todos romances do assombro, todas narrativas na qual quem nos fala é uma pessoa que não consegue dar crédito à realidade que o cerca, sempre perplexo, sempre questionando-se se algum dia valerá a pena começar a tentar apreender tantos estímulos, expectativas, sons, imagens e palavras. Terminando de ler um dos contos do seu livro “Mundo Animal”, jogado na cama, com as cortinas cerradas, intuindo um dia cinzento lá fora, fiquei imaginando como ele mesmo encontrava forças para escrever e viver o pouco de vida que vivia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-6907971450625369679?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/6907971450625369679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/pressao-da-escrita-parte-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/6907971450625369679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/6907971450625369679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/pressao-da-escrita-parte-1.html' title='A Pressão da Escrita - parte 1'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMPOn-0mqUo/SoXxJSwGbhI/AAAAAAAAACU/_YT8mZz6yvE/s72-c/livros_mundo-animal_250_rep.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1966208039974224656.post-6051282322474619999</id><published>2009-08-12T20:24:00.002-03:00</published><updated>2009-08-12T20:28:53.034-03:00</updated><title type='text'>Começos</title><content type='html'>Um blog de livreiro não há de ser um blog literário, nem um blog de leitor. Não haverá refinamento, instrumental teórico e nem impáfia o bastante para isso. O livreiro, afinal, nunca está a sós com sua própria estante de casa, aconchegante e familiar, ou põe sob o travesseiro a curta e incompreendida obra daquele marginalíssimo autor sobre o qual está preparando um trabalho acadêmico revelador e sonha a partir dali para incontáveis horizontes. O livreiro, ao contrário daquele culto diletante ou deste acadêmico aplicado, está permanentemente sob o efeito de todas as estantes possíveis; todos os autores sussurram suas verdades simultaneamente por detrás de lombadas de todas as cores e ele precisa render-se a eles, falar sobre eles, ter um fragmento de informação sobre cada um desses produtos-sonho que às vezes dizem algo a este cliente e não àquele, que abrem portas para esta mente e não para aquela. E ao descobrir a pólvora pessoal que dispara a fome de cada um que lhe aparece pela frente a cada momento, o ideal é que ele saia por aquela picada no meio da selva de celulose adentro, desbravando e conectando, desbravando e conectando...&lt;br /&gt;No processo, o caminho se suaviza, o final da trilha parece estar logo ali, onde a claridade fica cada vez mais intensa – mas, como todos sabemos, todo mundo que sente esta &lt;em&gt;fome&lt;/em&gt; lê, conjuntamente, o Livro de Areia  borgiano, para o qual não há final possível, para o qual a fome tem que justificar-se a si mesma, sob pena de converter-se de uma saudável perversão em uma biliosa obsessão.&lt;br /&gt;É justamente nesta terra de ninguém que opera o tal do livreiro: entre a perversão e a obsessão. Cada uma em sua trincheira, alternando avanços ostensivos e retiradas estratégicas.&lt;br /&gt;Portanto, este é apenas um blog de vida de livreiro. Uma vida na qual acontecem as coisas normais de qualquer outra vida. Só que com um monte de papel impresso em volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1966208039974224656-6051282322474619999?l=bibliocantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliocantos.blogspot.com/feeds/6051282322474619999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/comecos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/6051282322474619999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1966208039974224656/posts/default/6051282322474619999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliocantos.blogspot.com/2009/08/comecos.html' title='Começos'/><author><name>Roberto Pedretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09053577880672611760</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
